http://www.youtube.com/watch?v=mmbQEQltOwM&feature=related
Hallelujah - Rufus Wainwright
A LEI DE DEUS E O BEZERRO DE OURO
Apenas para salientar a situação em que nos encontramos na modernidade, gostaríamos de usar dois acontecimentos e usá-los como ilustração.
Um evento se deu exatamente no ano de 2003, na cidade de Montgomery, existia um monumento onde estavam os 10 mandamentos (decálogo bíblico) no Palácio de Justiça da cidade, por ordem judicial de um juiz federal (Myron Thompson), aquele monumento teve que ser retirado, depois de 2 anos de contenda, tudo em nome de uma postura de que tal objeto ofendia a separação entre Estado e Igreja. Bem, o monumento, depois de muita briga jurídica foi removido, para a alegria e felicidade de uma ínfima minoria atéia contra uma nação predominantemente cristã e protestante.
O outro fato aconteceu recentemente concomitante as dificuldades econômicas em Wall Street nos E.U.A, ao mesmo tempo, na Inglaterra acontecia um leilão, e a obra de um artista chamado Damien Hirst recebeu a maior oferta de todos os tempos, era um Bezerro de Ouro (The Golden Calf), arrematado por US$ 18,6 milhões. Bem, evidentemente que o artista se baseou no bíblico e ofensivo ídolo que está no livro de Êxodo, representação máxima da rebelião do ser humano e o desprezo do povo hebreu à Lei de Deus.
Essas ações simbólicas mostram claramente onde está a Lei de Deus no mundo moderno, ou seja, Deus é sempre colocado em segundo plano, em uma ordem privada e familiar, Deus não pertence a esfera pública. O que é Deus? Pode-se perguntar para essas pessoas... elas responderão talvez, é como um Papai Noel, uma fada, um duende, um fantasmão, ou seja , um mito, é assim que pouco a pouco Deus é marginalizado, daqui a pouco será um conceito visto como "antiquado e próprio de esferas sociais incultas e retrógradas". Em seu lugar, o homem coloca o dinheiro e seus símbolos de poder, de status, conseguidos através do mesmo, e a auto-suficiência dele conquistada. O grande mal que vemos para o Cristianismo em nossos dias é o próprio Capitalismo.
Podemos perceber que esse mal, ainda embrionário na época da Reforma Protestante e incentivado por Reformadores como Calvino. Esse mal alcançou na época atual a dimensão de uma monstruosidade, um Leviatã que engloba e influencia a todos, um Juggernaut de poder ilimitado nas consciências e que por onde passa deixa atrás de si pessoas pisoteadas, através da miséria, fome, descaso e exclusão. Não foi à toa que por muito tempo a Igreja Católica condenou a usura, que era nada mais do que o desejo de lucrar sobre o próximo (por isso ela ignorava os judeus). Lutero por sua vez condenou o comércio sancionado pela Igreja Católica que dizia que tinha sido inventado no inferno. Calvino, o pai do Capitalismo, disse que o pobre era suspeito de preguiça, porque pra ele a riqueza pessoal seria o resultado da eleição divina nos predestinados, dessa forma, os puritanos colonizadores da América foram muito trabalhadores e consequentemente sustentáculo e exemplo para os governos. Os reformadores ingênuos, sequer suspeitavam que a “abertura”, a livre iniciativa, etc, com o tempo se tornaria o grande mal ao cristianismo que tanto prezavam, um câncer que mata todos os valores e princípios cristãos de convivência pacífica pessoal e entre as nações. O Cristianismo forma altruístas, o Capitalismo egoístas, daí percebemos que hoje existem mais igrejas capitalistas que cristãs, pois, como podem resistir e evitar que a transversalidade desse Leviatã não as afete ? Dessa forma percebemos a multiplicação dessas igrejas de arrecadação, quando não, de extorsão, igualmente sem sentido.
Com certeza um mundo com essas posturas está prestes a caminhar para o caos e destruição, pois vai se formando uma situação de alienação de suas raízes e sua natureza mais íntima, fato que já está acontecendo em grandes cidades e centros urbanos, se perdeu o contato com o outro, as pessoas estão isoladas, egoístas e individualistas, e há aqueles que não suportando essas conseqüências, se suicidam, tudo isso é o resultado de um mundo extremamente competitivo onde as pessoas não se vêm mais como filhos de Deus e conseqüentemente irmãos, mas se vêm como adversários e inimigos, alguém a se passar por cima. Hoje esse é o meu constatador para definir quem é mau-caráter, quando eu vejo alguém que trata os demais não como pessoas, mas como “oportunidade”, “negócios”, “commodities”, $ & $ , aí temos maucaratismo.
Bem, e com relação a "Crise", alguém disse que "desde que existe dinheiro existe crise". E sobre essa falta de paz na mídia desses acontecimentos atuais? São o resultado do próprio distanciamento de Deus que setores da sociedade têm semeado, devemos resistir na nossa humanidade. E sobre a pergunta dita lá em cima? Não sei precisar quem é Deus, mas posso saber onde ele está, ele está no meu próximo e nessa relação com ele, tenha que classe social, raça, etnia, cultura, gênero ou orientação sexual que for, e não é de se estranhar que para esses ateus modernos não exista Deus, o próximo também não existe. Já disse a suprema e infinita sabedoria de Jesus de Nazaré, "a pessoa não vale pelos bens que possui" e também do apóstolo S.Paulo, “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”, nos orientarmos por essas verdades faz com que valhamos muito mais que o vil metal.
Victor Orellana, Pastor e Mestre espiritual
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