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CONTEÚDO

INTERAÇÃO

INSTITUCIONAL

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VOE ALTO, ULTRAPASSE SEUS LIMITES !!!
 

My Name is Lincoln (Steve Jablonski) Now We are free (Lisa Gerrard)
http://br.youtube.com/watch?v=Al5ji8zagv8
 
  Estamos fazendo 10 anos que começamos a dar nossos primeiros passos numa proposta um pouco ousada para a época, a proposta de sintetizar Homossexualidade e Espiritualidade Cristã. Para muitos até hoje é algo impossível, dizem que é algo mútuamente excludente, pois bem, desde o começo não achei isso, como sabem, venho de formação numa igreja de ramo pentecostal, e é o tipo de cristianismo mais radical que pode existir, pois é notório entre eles tomarem a Bíblia ao pé da letra e aplicá-la assim, Ipsis Litteris na nossa época, sem qualquer sofisticação teológica ou "modernosa", diga-se de passagem, bem, lembro-me que naquela época não existia ninguém que tivesse coragem de assumir-se em público e ainda por cima acreditar em algo como pensávamos, fui consagrado o primeiro pastor afirmadamente gay do Brasil e ajudamos a formar com um grupo de ativistas gays naquela época uma comunidade muito singular. Pouco a pouco começaram a aparecer muitas divergências em nosso meio, na minha opinião, inconciliáveis, pois os ativistas começaram a mostrar as unhas, e para eles pouco importava uma espiritualidade de fato, o que importava eram os direitos que precisavam ser conseguidos socialmente, não importavam esforços, custasse o que custasse, para alguns "cada um tinha que dar um pouco de seu sanguinho" para isso, e aquilo que imaginava que aconteceria diferente veio por água a baixo, pois não queria que o nome de Deus fosse usado para promover uma luta política de direitos gays, por mais que eu achasse essa luta válida, mas que fosse por meios legítimos e não por usar o Cristianismo como trampolim. O grupo se tornou uma torre de Babel, porque na medida que eles (os ativistas) diziam que ninguém podia ser discriminado, o grupo começou a ter em seu cerne várias identidades que, mesmo que implícitamente, não se toleravam. Teve uma vez que ao decidirmos escolher um nome para a Comunidade, muitos, sem sensatez alguma, opinaram "Igreja do Arco-Íris", "Comunidade do Espírito Lilás", e essa tendência ia nos entristecendo por dentro, teve outros que colocavam fotos de homens nús no mural e também outros que queriam que a Comunidade adotasse santos gays como símbolos, São Sebastião, pela sua imagem quase homoerótica que mostrava sua semi-nudez (muito famoso entre os gays) e também Santa Joana Dark (porque ela se vestia como homem), toda essa "tendência" tornou nossa saída irreversível da Comunidade, pouco tempo depois ela acabou.
 
                                                         Essa tendência que percebemos é nada mais do que uma Defensiva, uma maneira de sempre os gays se verem dentro de guetos por temerem a discriminação da sociedade, nesse frenesí, eles muitas vezes acabam criando apenas amizades gays, adotam terminologias definidamente de points de encontro gls, etc. Bem, minha proposta não englobava criarmos uma "igreja gay" ou mais um gueto ou reduto onde os gays pudessem se esconder e se ocultarem, eu almejava que nós gays saíssemos à luz, estivessemos em todos os lugares e galgássemos o respeito dessa forma, sonho inalcançável? sonhava alto muitos dirão, mas era isso no que eu acreditava, principalmente depois de nossa consagração como pastores quando um grande ativista gay alardeou ...."O que eles estão fazendo e criarem mais um gueto", pensei comigo, longe de mim criar uma igreja gay só por causa do preconceito social, seria equivalente a se formar uma igreja só para negros só por causa do racismo social, idéia obtusa que só acontece nos EUA onde as categorias se desprezam mútuamente. 
 
                                                       Mas o desejo permanecia em meu coração, queria um local onde pudessemos, nós gays, expressarmos nossa fé e espiritualidade, mas também um espaço aberto a todas as pessoas, um espaço de coexistência sem discriminação alguma de ninguém, onde heteros e homos fossem reconciliados, começamos então o projeto da ACALANTO, uma comunidade para todas as pessoas e cristã, porque Jesus jamais excluiu ninguém de sua presença, então, a postura das igrejas cristãs e religiões era totalmente errada ao discriminarem uma categoria que o Cristo trataria com boas-vindas. Como a imprensa assediava um pastor assumido resolvemos dar visibilidade para atrair público para o nosso projeto, tivemos nossas aparições na mídia televisiva e impressa, procurávamos fazer o "Culto da Inclusão" onde os gays convidavam amigos heterossexuais para virem compartilhar conosco, nossa pregação de maneira alguma era direcionada apenas para um público específico, nossa mensagem era e é holística, mas muitas pessoas não conseguiam entender a nossa proposta, principalmente depois que nossa aparição na mídia atraiu muita gente, muitos então invejavam nossa posição de destaque. Mas como colocar mais consciência em gays que já estavam habituados ao mundinho segregado dos gays ?? Logo logo começamos a ter alguns problemas nesse quesito, quando um tecladista queria fazer shows com o público da igreja se vestindo de "tiazinha Batgirl", nada contra com quem é artista ou é transgênero, mas existem coisas que são para permanecerem cada uma em seu lugar, não imagino um deputado estadual por exemplo ir ao seu gabinete ou ao plenário vestido de palhaço ou rei momo, por exemplo. Essa confusão que queriamos evitar não estava muito elucidada naqueles que traziam essa tendência de viverem em guetos apenas, até queriam colocar bandeiras gays na Acalanto, coisa que nunca o permitimos. Dissidências acabaram acontecendo, porque como alguém disse, toda instituição não tem somente idealistas, mas também mal-intencionados.
 
                                          Acho muito válida a luta dos ativistas e militantes por direitos gays, mas todo radicalismo é prejudicial, por isso todas as coisas em seus devidos lugares, sempre que posso participo de eventos ativistas, mas a minha causa principal é e era levar pessoas gays à uma espiritualidade, e essa espiritualidade não é segregada, não é um recorte circunscrito à uma categoria, a participação efetiva dos gays num contexto social sem exclusão de ambos faz parte da espiritualidade almejada. A libertação a que me propunha ontem e hoje é no contexto social, libertação das repressões sexuais que as igrejas colocam nas pessoas, libertação de todo preconceito social e inserção plena dos gays, mas, enquanto não vem isso, enquanto não vemos essa maravilha acontecer na sociedade, creio, que o mais necessário é a libertação que se dá no gay dos medos e das fobias herdadas deste mundo adverso, o mais importante é que ele tenha uma espiritualidade que começa de dentro para fora e não externa a ele, algo que o fortaleça e o revista de auto-estima, a reconquista de sua dignidade, depois disso, mesmo que não aconteça de fato a aceitação plena dos direitos sociais, não será por isso que a pessoa gay não estará vivendo, de fato, ele vive, tanto quanto ou até mais que os heterossexuais.
 
                                         Estou falando justamente dessa postura de posicionar-nos, não nos confinando em guetos ou cantos, como que se escondendo ou tendo vergonha de algo, esperando que sempre venha uma ajuda e compreensão de fora, não, lembro-me da famosa frase de Harvey Milk, aquele ativista que, pioneiro, soube afrontar a civilização conservadora americana e posicionar-se, ele disse "Se você não é livre para ser você mesmo na questão mais importante de todas as atividades - a expressão do amor -, então, a vida em si mesma perde seu sentido", como pioneiro e idealista que era, foi morto, pagou o preço por assumir-se num contexto ainda doentio e reacionário, mas hoje ele é seguido e lembrado porque se permitiu viver de fato, não se contentou com uma sub-vida de confinamento. Ele vôou alto para sua época. Nós também, devemos voar alto, procurar sempre ultrapassar os nosso limites, aqueles limites impostos pela família, sociedade, igrejas, culturas, etc, renovarmos nossa mente, permitirmo-nos nos transformar para algo mais sublime e melhor, e não nos contentarmos com a mesmice, o tanto de medo que te colocaram deve ser a medida da coragem de amar que deves ter, e não se contente apenas em viver esse amor em cubículos, em confinamentos, em guetos, mas permita-se ser igual a todos, pois isso é estar num Estado democrático, que assegura o tratamento igualitário, sem discriminação, e acredite na Coexistência. Um Mundo Novo é possível, onde não precisaremos mais viver às sombras, em locais segmentados ou tendo uma cidadania de segunda categoria. Quanto mais naturais vermos a nós mesmos, mais naturais nos mostraremos e seremos vistos com naturalidade pela sociedade cada vez mais. Guetos serão obsoletos. "Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas de águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam"  Isaías 40:31. Ouse sonhar e voar alto !!!!!     
 
Victor Orellana
Mestre Espiritual e Pastor
outrasovelhas@hotmail.com

 
 
 
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