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Sobre famílias alternativas
 

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Twee Vaders - Terrence Uphoff 

 

Século XXI, vivemos num momento ímpar para que possamos viver da melhor forma e nos realizarmos como pessoas. Quando paro pra pensar e vislumbro as mudanças que aconteceram, e como ocorreram acredito que somos privilegiados por vivermos numa época onde colhemos frutos que muitos no passado plantaram. É claro que “Crimes de ódio” ainda existem, intolerância, discriminação, mas, temos que concluir que esses tipos de comportamentos tem diminuído muito, nossa sociedade aceita muito mais as diferenças e as orientações sexuais, podemos dizer que a “Aceitação” plena não existe, mas quando existirá? Creio que enquanto existir ignorância e falta de cultura, ainda poderá existir preconceito, intolerância e demais obstáculos da promoção humana em sociedade. Então, aceitar ou não o diferente é uma questão de educação sim, de culturalização.

 
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O mundo evolui, mas ainda existem aqueles nichos de discriminação que funcionam como propulsores e nutridores de mais achincalhes à categoria homo, como é o caso do “mundo religioso cristão”. Quando falo isso lembro-me das manifestações que alguns líderes desse meio realizaram como protesto contra a lei que criminaliza a homofobia lá em Brasília. E mais uma vez digo, esse povo dito religioso deveria se preocupar com coisas muito mais interessantes à sua fé do que tentarem sabotar direitos legítimos a uma minoria que carece de uma contemplação maior pela sociedade. E graças a Deus que esse tipo de povo está perdendo representação na sociedade, digo isto na área política, pois esse tipo de gente não é capaz de fazer prevalecer o bom-senso sobre suas posturas religiosas, quem governa deve governar para todos numa sociedade com várias nuances e matizes, e não ter um cargo político com posturas mesquinhas adquiridas em seu ambiente circunscrito.
 
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E como sempre, eles podem alardear que a aceitação homo pode ir contra a família tradicional, que os homossexuais vieram para destruir a ordem familiar, etc. velho discurso, risível por sinal, acredito que todos nós gays saímos de uma família tradicional, que eu saiba, meus progenitores são tradicionais, pai e mãe e sempre fui filho e em nenhum momento quis destruir a minha família, rsrsrsrs, e também como ser humano que sou tenho direito ao afeto e crescer como pessoa ao lado de alguém, sim, ampliar esse conceito de família, e porque não usar o modo que os casais recém casados “tradicionais”muitas vezes dizem, de poder dar para meus pais alguém que será como mais um filho para eles. Os religiosos poderão dizer “mas vai contra o conceito de família que está nas Sagradas Escrituras”, digo para eles e para quem quiser ouvir, conheço muito bem a Bíblia e ali o conceito de família narrado está muito distante da dita família tradicional, ali, por ter sido escrita num mundo muito mais antigo que o nosso, o que transparece era um modelo de família poligâmica, ou seja, um homem podia ter muitas mulheres, quantas pudesse sustentar, o rei Salomão, por exemplo, teve mil mulheres, algumas esposas legítimas e o resto eram concubinas, escravas para fim sexual, diga-se de passagem. E até mesmo quando na Bíblia aparece um modelo de casamento monogâmico de um homem e mulher, é completamente diferente do que existe por ai, pois naquela época a mulher era apenas uma propriedade, o homem poderia ter um terreno, uma casa e objetos pessoais, entre eles uma mulher. Como é difícil tentar achar modelos certos na Bíblia para esses religiosos que querem unicamente sabotar direitos àqueles que são diferentes, unicamente por mesquinhez descabida. Até mesmo se formos procurar a terminologia da palavra “família” vamos nos deparar com um conceito diferente daquele que é alardeado por ai como família tradicional, a palavra Família vêm do latim “famulos” que nada mais era do que o servo, o escravo de determinada convivência, pois é, daí, percebemos que o conceito de família é expandido, pois o termo procede justamente de algo que era “familiar”, e não propriamente os progenitores.

Mas na sociedade as coisas estão mudando, e estamos começando a ver as instituições reconhecendo essas novas nuances, como o termo que se diz em assistência social, “novos arranjos familiares”. Entidades de moradias sociais já começam a contemplar e reconhecerem direitos para os outrora não contemplados, começam a reconhecer como famílias legítimas uma avó que mora com o neto, uma mãe solteira que mora com o filho e dois homens ou duas mulheres que tem uma convivência doméstica. Um grande adianto.

O reconhecimento pleno das Famílias Alternativas é algo inelutável e virá, porque está na Constituição que o Estado de Direito não pode discriminar, e deve zelar pela igualdade de direitos para todos, afinal, essa é a finalidade da existência do governo. Eu me sinto gratificado de fazer parte desse Novo Mundo, pois eu já fiz 5 cerimônias de casamento homo, 3 de casais de homens e 2 de casais de mulheres, e , mesmo que não aja ainda juízes de paz que celebrem casamentos em cartórios assim, já existe jurisprudência que os reconhece, e os direitos que advêm dessas convivências e relações estáveis.

                   Fábio vivia sozinho, solteiro mas desejava dar mais valor e utilidade à sua existência, tinha uma boa qualidade de vida e poderia adotar uma criança, procurou realizar esse sonho, adotou Sofia, formou-se então uma família feliz, depois Fábio veio a conhecer um rapaz o qual se tornou seu namorado, trazendo mais felicidade ainda àquele núcleo familiar.

Hiroshi vivia com seu pai, quando conheceu a pessoa que estava no seu destino, de ser a pessoa da sua vida, procuraram-nos e pudemos fazer o casamento dos dois, selando essa relação de afeto e amor que eles tinham, cheios de amor e felicidade, procuraram os caminhos para a adoção de um bebê, veio Yasmin, para trazer mais felicidade ainda ao amor existente.

Antônio vivia em baladas, namoros, etc. mas precisava dar mais intensidade à sua vida, fazendo terapia, seu terapeuta lhe recomendou que fizesse algum tipo de atividade social, ou seja, visitasse um lar de órfãos, etc. Antônio procurou e achou um na região do Tremembé na zona norte de São Paulo, ia com regularidade quinzenal visitar aquelas crianças naquele lar, levando-lhes presentes e até mesmo disposição e energia para brincar com elas, eu tive a oportunidade de acompanhá-lo numa dessas visitas e vi crianças muito carentes de atenção e carinho. Antônio lhes dava a atenção de um pai, não faltando no compromisso de ir a cada duas semanas e gastar uma tarde inteira com elas, elas o queriam e o amavam como a um progenitor. Depois de tanto tempo nessa convivência, já há mais de três anos que ele as visita, Antônio está em vias de adotar uma daquelas crianças que se tornaram parte de sua vida.

São pessoas que eu conheci e que atestam que, onde existe amor, doação, dedicação, ali existe a base e o sustentáculo para uma família, diferente de tantos casais heterossexuais que, por falta de qualidade em seus relacionamentos, acabam em poucos anos. A verdadeira qualidade de um relacionamento e família está no Amor e no respeito que daí advêm. “Onde existe Amor, aí Deus está”.

Victor Orellana, Pastor e Mestre espiritual
outrasovelhas@hotmail.com

 

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