E como sempre, eles podem alardear que a aceitação homo pode ir contra a família tradicional, que os homossexuais vieram para destruir a ordem familiar, etc. velho discurso, risível por sinal, acredito que todos nós gays saímos de uma família tradicional, que eu saiba, meus progenitores são tradicionais, pai e mãe e sempre fui filho e em nenhum momento quis destruir a minha família, rsrsrsrs, e também como ser humano que sou tenho direito ao afeto e crescer como pessoa ao lado de alguém, sim, ampliar esse conceito de família, e porque não usar o modo que os casais recém casados “tradicionais”muitas vezes dizem, de poder dar para meus pais alguém que será como mais um filho para eles. Os religiosos poderão dizer “mas vai contra o conceito de família que está nas Sagradas Escrituras”, digo para eles e para quem quiser ouvir, conheço muito bem a Bíblia e ali o conceito de família narrado está muito distante da dita família tradicional, ali, por ter sido escrita num mundo muito mais antigo que o nosso, o que transparece era um modelo de família poligâmica, ou seja, um homem podia ter muitas mulheres, quantas pudesse sustentar, o rei Salomão, por exemplo, teve mil mulheres, algumas esposas legítimas e o resto eram concubinas, escravas para fim sexual, diga-se de passagem. E até mesmo quando na Bíblia aparece um modelo de casamento monogâmico de um homem e mulher, é completamente diferente do que existe por ai, pois naquela época a mulher era apenas uma propriedade, o homem poderia ter um terreno, uma casa e objetos pessoais, entre eles uma mulher. Como é difícil tentar achar modelos certos na Bíblia para esses religiosos que querem unicamente sabotar direitos àqueles que são diferentes, unicamente por mesquinhez descabida. Até mesmo se formos procurar a terminologia da palavra “família” vamos nos deparar com um conceito diferente daquele que é alardeado por ai como família tradicional, a palavra Família vêm do latim “famulos” que nada mais era do que o servo, o escravo de determinada convivência, pois é, daí, percebemos que o conceito de família é expandido, pois o termo procede justamente de algo que era “familiar”, e não propriamente os progenitores.
Mas na sociedade as coisas estão mudando, e estamos começando a ver as instituições reconhecendo essas novas nuances, como o termo que se diz em assistência social, “novos arranjos familiares”. Entidades de moradias sociais já começam a contemplar e reconhecerem direitos para os outrora não contemplados, começam a reconhecer como famílias legítimas uma avó que mora com o neto, uma mãe solteira que mora com o filho e dois homens ou duas mulheres que tem uma convivência doméstica. Um grande adianto.
O reconhecimento pleno das Famílias Alternativas é algo inelutável e virá, porque está na Constituição que o Estado de Direito não pode discriminar, e deve zelar pela igualdade de direitos para todos, afinal, essa é a finalidade da existência do governo. Eu me sinto gratificado de fazer parte desse Novo Mundo, pois eu já fiz 5 cerimônias de casamento homo, 3 de casais de homens e 2 de casais de mulheres, e , mesmo que não aja ainda juízes de paz que celebrem casamentos em cartórios assim, já existe jurisprudência que os reconhece, e os direitos que advêm dessas convivências e relações estáveis.
Fábio vivia sozinho, solteiro mas desejava dar mais valor e utilidade à sua existência, tinha uma boa qualidade de vida e poderia adotar uma criança, procurou realizar esse sonho, adotou Sofia, formou-se então uma família feliz, depois Fábio veio a conhecer um rapaz o qual se tornou seu namorado, trazendo mais felicidade ainda àquele núcleo familiar.
Hiroshi vivia com seu pai, quando conheceu a pessoa que estava no seu destino, de ser a pessoa da sua vida, procuraram-nos e pudemos fazer o casamento dos dois, selando essa relação de afeto e amor que eles tinham, cheios de amor e felicidade, procuraram os caminhos para a adoção de um bebê, veio Yasmin, para trazer mais felicidade ainda ao amor existente.
Antônio vivia em baladas, namoros, etc. mas precisava dar mais intensidade à sua vida, fazendo terapia, seu terapeuta lhe recomendou que fizesse algum tipo de atividade social, ou seja, visitasse um lar de órfãos, etc. Antônio procurou e achou um na região do Tremembé na zona norte de São Paulo, ia com regularidade quinzenal visitar aquelas crianças naquele lar, levando-lhes presentes e até mesmo disposição e energia para brincar com elas, eu tive a oportunidade de acompanhá-lo numa dessas visitas e vi crianças muito carentes de atenção e carinho. Antônio lhes dava a atenção de um pai, não faltando no compromisso de ir a cada duas semanas e gastar uma tarde inteira com elas, elas o queriam e o amavam como a um progenitor. Depois de tanto tempo nessa convivência, já há mais de três anos que ele as visita, Antônio está em vias de adotar uma daquelas crianças que se tornaram parte de sua vida.
São pessoas que eu conheci e que atestam que, onde existe amor, doação, dedicação, ali existe a base e o sustentáculo para uma família, diferente de tantos casais heterossexuais que, por falta de qualidade em seus relacionamentos, acabam em poucos anos. A verdadeira qualidade de um relacionamento e família está no Amor e no respeito que daí advêm. “Onde existe Amor, aí Deus está”.
Victor Orellana, Pastor e Mestre espiritual
outrasovelhas@hotmail.com